08/01/2012

"O Pequeno Príncipe" - Percepções

O Livro O Pequeno Príncipe do escritor Antoine de Saint-Exupéry traz uma leitura fantástica a todos que tiverem a oportunidade de ler; essa postagem em especial tem algo que chamam de Spoiler, o que seria a revelação de parte do texto, fica a seu critério continuar a leitura, a você que já conhece a história fico feliz por compartilhar minhas percepções. Talvez o que eu tenha escrito não seja a melhor, mas é o que senti durante a leitura.

No livro suas personagens não tem nome, o que torna o leitor parte dela. O autor me fez a alusão de que toda a história teria um significado muito mais profundo ao citar seu desenho da jiboia digerindo um elefante e que "pessoas grandes" nunca entenderiam seu significado, caso não fosse explicito, o que não era sua intenção.

Tudo me levou a entender que toda menção a personagem, característica e ambiente eram o próprio autor ou leitor, é o que ele queria que as pessoas vissem dentro e ao redor de si.

A viagem através do deserto foram seus pensamentos, lá ele achou que estaria sozinho para pensar em seus problemas e sua vida; ao surgir o pequeno príncipe enxerguei seu alter ego, uma criança que não se preocupava muito com questionamentos dos outros mas que jamais desistia dos seus próprios questionamentos.

Os pequenos planetas seriam corações/sentimentos e a própria pessoa; a rosa foi o amor que brotou em seu coração, os espinhos mostram que o amor também fere e que quando somos a rosa ferimos alguém também; os baobás seriam sentimentos ruins que devem ser arrancados antes que criem raízes; os vulcões são como válvulas de escape, que devem colocar para fora o que sentem ou explodirão; deixou-me claro que devemos cuidar de nossa mente e do nosso corpo.

Sua fé e admiração por algo maior se declarou através do sol, o pôr do sol. O carneiro é algo que queremos, mas que temos que ter cuidado para que não destrua/substitua o que há de mais importante em nós. Sempre somos jovens o bastante para entender..

- Se alguém ama uma flor da qual só exista um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando as contempla, ele pensa "Minha flor está lá, em algum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é, para ele, como se todas as estrelas repentinamente se apagassem! E isto não tem importância?

Suas viagens seriam como os caminhos que tomamos pela vida; e  em determinados momentos na história nos impulsiona para que peçamos que não nos coloquem em redomas de vidro ao partirem, pois precisamos sempre de ar; as lagartas são nossas dificuldades enfrentadas e as borboletas o resultado de nossos esforços para transformar nossa vida.

Durante sua viagem / O que encontramos?:
  • Cada asteroide era um novo planeta, uma nova pessoa, um novo aprendizado.
  • O rei é o tipo de pessoa que precisa ter sua autoridade respeitada, era bom e racional, aprendeu que não podemos controlar ou ter tudo, e que julgar a si mesmo é bem mais difícil.
  • Com o vaidoso aprendeu que de nada vale escutar apenas os elogios.
  • Com o bêbado viu que vícios são alimentados pela necessidade de algo que se tenta esconder e não vale a pena.
  • Com o empresário aprendeu que nenhuma riqueza faz sentido quando se esquece de desfrutar o que possui ou não sobra-lhe tempo.
  • Com o acendedor de lampião aprendeu que devemos acompanhar as mudanças, e contemplar o melhor da vida.
  • Com o explorador aprendeu que existem coisas que nunca mudam e há aquelas que existem por pouco, em um curto espaço de tempo, o que pode nos acordar para o que estamos dando prioridade.

A Terra é algo muito maior, ela é nossa sociedade, um lugar com milhares de personalidades diferentes e com coisas diferentes a ensinar. A serpente é o caminho mais curto e mais perigoso a seguir, nos lembra que é preciso ter cuidado e certeza do que se está escolhendo. Ao descobrir que existiam milhares de rosas iguais nos mostra que poderia amar qualquer uma, mas a sua era especial e unica apensar de seus defeitos, ele a amava. "– Vai ver as rosas. Assim compreenderás que a tua é única no mundo."

A raposa são pessoas que surgem em nossas vidas e deixam marcas de sua amizade e amor para sempre; com a raposa ele aprendeu muitas lições, entre elas uma das mais importantes de sua vida, a cativar, "tu se tornas eternamente responsável, por aquilo que cativas!", é o tempo, é o cuidado que tens com algo que faz com que os sentimentos criem raízes.

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.”

Vejamos a raposa como pessoas que nos cultivam como rosas, de uma forma diferente, com amizade, e mesmo sabendo que um dia criaremos asas como as lagartas, o que já é uma outra analogia, a pessoa a qual cativamos lembrará de nós em coisas antes sem significado nenhum e porquê entramos e saímos de sua vida, assim como deixamos algo especial, algo especial também levamos em nossa viagem. "Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."


O manobreiro e o vendedor só serviu pra mostra como os adultos se tornam fúteis..

Durante os dias no deserto uma grande amizade se formou, acredito que ambos aprenderam muito, a água nos mostrou que deve-se ter esperança/amizade/força mesmo nos momentos de desespero/desengano.. beba desta água.

Chegou a hora de ambos voltarem para casa, voltar para um lugar cheio de "pessoas grandes", voltar para o seu planeta, para sua rosa.. "A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar..."

O fim da história é comovente, a forma como o pequeno príncipe volta para seu planeta é quase como a desilusão e separação pela morte para seu amigo, a escolha do príncipe pela oferta da serpente faria com que ele estivesse de volta, perto de sua amada rosa; seu amigo esteve com ele até o último momento, no momento de dor, partidas nunca são felizes, mas as lembranças que o pequeno tinha deixado o consolou, porque a cada vez que ele olhava para o céu, ouvia o riso de seu pequeno amigo e sabia que o príncipe também lembraria dele como a fonte do deserto.

 – Quando olhares o céu à noite eu estarei habitante uma delas, e de lá estarei rindo; então será, para ti, como se todas as estrelas rissem! Dessa forma, tu, e somente tu, terás estrelas que sabem rir.

– Será lindo, sabes? Eu também olharei as estrelas. Todas as estrelas serão como poços com uma roldana enferrujada. Todas as estrelas me darão de beber...
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