06/07/2015

Força Linear

Há muitos dias eu já não me encontro, visto que me deixei escapar pela porta lateral, não por medo mas muito mais por ousadia. Saímos de casa e vamos para o banco da praça sem nos apresentar ou mesmo estar lá sem de casa sair; existe linhas invisíveis ou é a pura e singela discordância do mundo que envolve-nos e impulsiona-nos a sermos o que somos quando não somos, quando sumimos.

Existe uma casa estranha e antiga numa rua que poucos ousam construir suas moradas, o que atrai é a sua tranquilidade e terror, diria que uma das atrações é imposta e a outra condicionada, e a cada um a singularidade de assim ser. O melhor lugar de estar é em casa, seja lunar ou temporal a estadia particular é o que move-nos à quietude.

Jogam pedras em meu telhado, no meu jardim, no meu quintal, quebraram minhas janelas, picharam meu muro, minha casa de nada tem culpa, e quem têm? Acabo morando numa montanha, plantando na selva de pedra, as flores nascem ao redor e as raízes de nada sofrem; feia mesmo é a fachada sem tinta, mas a noite no meu quarto é o lençol que me aquece e conforta o que está lá fora.